Muitos no Brasil consideram a crise até como algo já superado. Já outros, vêem o problema sendo varrido para baixo do tapete, com a atitude de bancos centrais inflacionando e 'empurrando com a barriga' para ver se o problema desaparece uns anos mais para a frente... O Brasil só havia participado da farra do crédito bem no finalzinho, e estamos agora em um contra-ciclo, onde os juros ainda podem ser pilotados para baixo, gerando muitas distorções futuras por causa da falta de poupança do país, mas gerando uma euforia no curto prazo. Se eles se atiram do precipício do expansionismo monetário, porque não nós? Esta é a mentalidade dos políticos e de parte da opinião pública. Esse desejo aparentemente só é mantido em cheque pelo trauma, ainda recente, do convívio com a hiperinflação.
Muito aconteceu nos últimos meses. Muitas injustiças, muitas cabeças que deveriam ser cortadas e foram salvas por intervenção estatal. Fortunas foram destruídas ou mudaram de mão. Seria interessante fazer um balanço, tanto para as pessoas e para seus planos pessoais, quanto para o futuro da ciência econômica, que saiu bastante desgastada deste 'reality check' fornecido pela crise. Apenas alguns economistas 'excêntricos' enxergaram nuvens negras no horizonte.
Mudou alguma coisa depois da crise? Teorias baseadas em livre-mercado saíram desgastadas? Veremos um retorno a um Neo-Keynesianismo? É possível conjugar livre-mercado com intervenção monetária? Há pouco tempo seria impensável imaginar que as instituições bancárias americanas e européias fossem estatizadas. Seriam bancos instituições de mercado?
Há um grande desconhecimento sobre a questão da moeda, sistema bancário, sistema monetário, taxa de juros. Vemos discussões feitas sobre estes temas por pessoas com discursos inflamados, muitas vezes beirando o nível das discussões futebolísticas. Mas poucos realmente entendem estes temas, bastante obscurecidos pelo linguajar de especialistas.
Eu estive em um dos centros da crise, pois morei na Irlanda no período do boom, com forte redução da taxa de juros para próximo de zero. Isto causou no pequeno país um tsunami, principalmente no setor imobiliário, que observei bem de perto.
Esta experiência me levou muito próximo da escola austríaca, que possui uma ótima explicação sobre o ciclo de expansão monetária e suas consequências.
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